24 de abril de 2014

SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SAÚDE DE CUITÉ DR. GENTIL, REBATE NOTA PUBLICADA PELA MÉDICA OBSTETRA DO ISEA.



Dr. Gentil Palmeira
O Secretário Municipal de Saúde de Cuité o Dr. Gentil Palmeira, vem através desta nota, esclarecer os fatos acerca de um episódio que foi veiculado, de forma irresponsável, nas redes sociais e na blogosfera. Trata-se do caso de uma emergência obstétrica, de uma paciente da cidade de Cuité que foi transferida pelo SAMU 192 para o Hospital ISEA na cidade de Campina Grande.

Esclarecemos inicialmente, que em post veiculado em uma rede social da Médica Cláudia Bianka Manhães do ISEA, a mesma utiliza-se do expediente onde a melhor defesa é sempre o ataque, tendo em vista que a instituição de saúde onde ela atua esteve, de forma negativa, nos holofotes da mídia (Vejam reportagens do Fantástico e do Bom Dia Brasil da Rede Globo de Televisão, bem como no site da Globo.com). Só esse post a desqualifica como profissional ética e compromissada com o seu trabalho. 

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Eis os fatos:

A mãe da paciente acionou o SAMU 192, depois de mais de 01 hora que a paciente entrou em processo de perda de sangue. A regulação do SAMU 192 destinou a paciente em transferência direta, sem passar pelo Hospital Municipal de Cuité, onde, diga-se de passagem, havia sim, médico de plantão a Drª. Germínia Fialho. Contudo, por tratar-se de uma emergência obstétrica, a regulação do SAMU 192, em acordo com o médico plantonista da USA e após verificação da inexistência de médico anestesiolologista e obstetra no Hospital Regional de Picuí decidiram fazer a transferência para o ISEA. Esses hospitais, o Regional de Picuí e o ISEA são os hospitais de referência deste município para os casos de gestação de alto risco.

A USA (Unidade de Suporte Avançado – UTI) do SAMU 192 de Cuité saiu às 11:17, (dado que pode ser comprovado no prontuário do SAMU 192 de Cuité) da residência da paciente. Chegando próximo à cidade de Barra de Santa Rosa, a Central Reguladora do SAMU 192 ordena que a paciente deve ser trocada de ambulância, tendo em vista, uma outra emergência  (uma criança de 02 meses, com parada cardiorrespiratória e provável traumatismo crânio-encefálico  necessitando de monitorização contínua do seu nível de consciência do seu padrão respiratório e controle hemodinâmico, meios esses  disponíveis apena na USA), passando imediatamente a paciente a ser conduzida pela Unidade de Suporte Básica do SAMU 192 da cidade de Barra de Santa Rosa.

A paciente de Cuité foi trocada de ambulância, por que, segundo a regulação na pessoa do médico regulador do SAMU 192 da cidade de Campina Grande, Dr Sebastião Viana Filho, a mesma estava consciente e poderia ser levada de forma segura em uma USB (Unidade de Suporte Básico).

Saindo da cidade de Barra de Santa Rosa às 12:00 horas e chegando no ISEA às 12:58 (segundo prontuário do SAMU da cidade de Barra de Santa Rosa.

Dessa forma, o transporte da paciente deu-se dentro da normalidade de horário, cerca de 01:40 minutos; tempo hábil para uma distância de 114 km das cidades de Cuité a Campina Grande.

Veja o que diz o médico Dr. Alisson Salvador - CRM 8810. Médico da USA-37, que era o médico plantonista da USA do SAMU 192 da cidade de Cuité no dia do ocorrido, no que diz respeito aos procedimentos médicos adotados pela equipe do SAMU e pela série de equívocos colocados no post da médica do ISEA:

A meu ver, a médica cometeu vários erros em seu comentário”.

1. O DE DAR A IMPRESSÃO DE NEGLIGÊNCIA: a paciente foi avaliada por mim. Diagnosticada. E teve a conduta para a patologia estabelecida corretamente;

2. O DE DAR A IMPRESSÃO DE QUE A AVALIAÇÃO DA MÉDICA PLANTONISTA DO HOSPITAL MUNICIPAL DE CUITÉ ALTERARIA O DESFECHO: não alteraria. Um, dez ou cem médicos poderiam gastar tempo avaliando, examinando, solicitando parecer; MAS A ÚNICA COISA CAPAZ DE ALTERAR O DESFECHO ERA A REALIZAÇÃO DA CESARIANA DE URGÊNCIA EM BLOCO CIRÚRGICO; e esse importante detalhe não é deixado suficientemente claro na postagem. A médica campinense parece acreditar que qualquer médico, sob qualquer estrutura, poderia realizar o procedimento cirúrgico em bloco como eles fizeram. Dra. Germínia Fialho, plantonista do Hospital Municipal de Cuité não poderia fazê-lo;

3. O DE ASSUMIR QUE NÃO SABIA DIREITO O QUE HAVIA ACONTECIDO: com suas próprias palavras. Principalmente na questão da troca de ambulâncias. E mesmo assim emitir juízo de valor e julgar o serviço, apontando precipitadamente culpados;

4. O DE SUBESTIMAR O MÉDICO DA UNIDADE AVANÇADA: que avaliou, diagnosticou e traçou a conduta cirúrgica para a paciente;

5. O DE APROVEITAR-SE DO FATO DE O ISEA ESTAR SENDO INVESTIGADO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO: para transferir a responsabilidade para um caso pontual, do qual ela não conhecia a totalidade da sucessão de fatos.

Sobre a gravidade da patologia acometida à paciente, o médico afirma que:

(...), o Descolamento Prematuro de Placenta, que causou originalmente o sangramento, pode ter evolução bastante dramática. De forma que mesmo se não tivesse existido a troca de ambulâncias, o prognóstico do bebê já era muito sombrio devido as duas horas (no mínimo) desde o início do sangramento até a realização do procedimento no ISEA. Conheço casos de gestantes que sangraram em período avançado da gestação da mesma forma, e que RESIDIAM EM JOÃO PESSOA OU CAMPINA GRANDE, entretanto que mesmo assim não deu tempo para salvar a criança.

(...) Falha no suprimento de oxigênio através da placenta pode levar o feto a óbito em questão de minutos.

Assim, confirma-se que os serviços do SAMU 192 fizeram o seu trabalho de forma eficiente, contudo, infelizmente, a criança veio a óbito por tratar-se de uma emergência grave, descolamento prematuro de placenta.

Por fim, esclarecemos que a paciente, durante todo o seu período gestacional foi corretamente atendida no serviço de saúde do município, realizando o pré-natal e sendo atendidas todas as demandas que se apresentaram nesse período de acompanhamento.  O Descolamento Prematuro de Placenta é algo que não pode ser detectado durante o Pré-natal, por se tratar verdadeiramente de uma emergência.

Concluímos lamentando o ocorrido com a paciente, e sua família, mas com a certeza de que o município de Cuité fez tudo o que estava dentro do seu alcance para que o episódio acontecido tivesse um final diferente.

Gentil Venâncio Palmeira Filho
Secretário Municipal de Saúde de Cuité

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