1 de dezembro de 2012

Alexandre Padilha: O Brasil avança no combate à aids?


Foto:  Rondon Vellozo - Ascom/MS
No marco do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, o Ministério da Saúde divulga os avanços recentes e os desafios que temos na resposta brasileira à epidemia. Parou de crescer o número de casos novos registrados anualmente, mas no patamar ainda preocupante de 38 mil anuais. Reduzimos fortemente a transmissão da gestante para o bebê e a taxa de mortalidade por aids nos últimos anos.
Ampliamos e antecipamos o acesso aos medicamentos antirretrovirais gratuitos e as ações de prevenção. Dado inédito mostra que, no Brasil, 70% dos pacientes que iniciam tratamento têm carga viral indetectável: vivem por mais tempo e reduzem o risco de transmissão. É hora de encararmos de frente os novos desafios. Em cinco anos, aumentamos de 32% para 37% o número de pessoas que descobrem estar infectadas na fase inicial e reduzimos de 32% para 29% aqueles que começam o tardiamente o tratamento: melhor que as médias internacionais ou mesmo dos EUA.
Nesse período, saímos de 62% para 84% das gestantes realizando teste de HIV no pré-natal, o que já é impacto do programa Rede Cegonha. Mas para o Ministério da Saúde, apesar do avanço, esses números ainda são inaceitáveis. Uma em cada quatro pessoas que vivem com o HIV no Brasil desconhecem essa condição – ou seja, estima-se que 135 mil brasileiros não sabem que são soropositivos, implicando no início tardio do tratamento e aumento das chances de transmissão do vírus. Mais do que uma prioridade, o diagnóstico precoce do HIV tem de se tornar uma rotina para os serviços e profissionais de saúde.
O Ministério da Saúde promove desde o dia 22, junto com Estados, municípios e sociedade civil, uma intensa mobilização nacional de prevenção e testagem do HIV, sífilis e hepatites virais, cujo ápice é este 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Nosso foco está nos 2.200 municípios que concentram 90% dos casos da doença.
De 2005, quando o teste rápido foi implantado no país, a 2011, houve aumento de 340% no numero de testes disponibilizados -de 528 mil para 2,3 milhões. Em 2012, o Ministério da Saúde distribuirá 2,9 milhões de testes rápidos para detecção do HIV.
Hoje, no Brasil, dos novos casos de aids registrados, pelo menos metade são de jovens gays de 15 a 24 anos. É uma geração que tem a informação das práticas seguras, mas que não transforma este conhecimento numa atitude de prevenção. Talvez por não terem convivido com a morte de ídolos, parentes e conhecidos, como ocorreu no início da luta contra a aids, esses jovens estão menos sensíveis aos riscos da doença. Tocá-los para o fato que a aids não tem cura e que o aumento na sobrevida se dá as custas de um tratamento duro – que impõe mudanças de hábitos, possíveis efeitos colaterais e sofrimento- não pode ser dispensado.
O Ministério da Saúde busca sensibilizar esta geração com novas campanhas de comunicação, fortes ações nas redes sociais e realização de atividades em rua, festas e locais de grande concentração. É preciso adotar estratégias diversas, pois há hoje epidemias dentro da epidemia de aids.
Fica a questão para todos nós. Se você está na dúvida, por que ainda não fez o teste? Se testar, se cuidar e usar camisinha é responsabilidade de cada um de nós. É difícil tomar a decisão, mas no Brasil sabemos que, negativo ou positivo, todo cidadão tem direito ao tratamento e acompanhamento gratuitos.
*Alexandre Padilha é médico, ministro da Saúde e presidente do Conselho Nacional de Saúde

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