22 de novembro de 2012

ESTADO DE EMERGÊNCIA NO NORDESTE


Nonato Guedes
O senador Cássio Cunha Lima, do PSDB-PB, fez um apelo ao governo federal para decretar estado de emergência em áreas do Nordeste assoladas pela estiagem. De acordo com o parlamentar, esta é a única alternativa possível para que alguns nós burocráticos sejam desatados e medidas concretas de assistência à população castigada sejam priorizadas de forma concreta. O parlamentar salientou que os entraves burocráticos a que se refere estão contribuindo apenas para o estrangulamento de decisões importantíssimas para a sobrevivência de comunidades da Paraíba e de outros Estados nordestinos neste período de seca inclemente. As observações foram feitas durante reunião da bancada federal em Brasília, preparatória a uma audiência com o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro.
O ministro recebeu apelos no sentido de determinar urgência na transferência do milho para produtores que enfrentam graves problemas. Um desses gargalos está no embarque e armazenamento do produto, em decorrência da dificuldade enfrentada por transportadoras que foram contratadas para cumprir o fluxo estabelecido. A situação é atribuída a um conjunto de fatores, tais como deficiência de transporte no país, crescimento da demanda por frete, redução do número de caminhões disponíveis, elevação do preço do frete e novas exigências legais para o setor de transporte rodoviário. Coube ao senador Cássio Cunha Lima apresentar a sugestão, acatada por todos, para que fosse resolvido o problema de armazenagem dos grãos destinados aos produtores que estão cadastrados no Balcão da Conab. O parlamentar tucano sugeriu que o milho ficasse estocado no Porto de Cabedelo, com o apoio logístico do governo do Estado, explicando que, se cabem 20 mil toneladas no navio, quinze mil podem ficar estocadas e cinco mil toneladas seriam distribuídas para o consumo imediato.
Parlamentares de legendas distintas externaram sua preocupação com a demora no encaminhamento de medidas que possam sanar o drama enfrentado pelas populações castigadas. O senador Cássio Cunha Lima foi enfático ao destacar que há uma urgência urgentíssima nas medidas capazes de minimizar a tragédia da estiagem prolongada. Ressaltou que o problema é que, ao fim e ao cabo, a seca mata silenciosa e lentamente, enquanto os poderes públicos se debatem com problemas burocráticos para dar andamento a providências que foram sugeridas ou idealizadas. A problemática da estiagem tem sido motivo de inquietação entre deputados federais, senadores e parlamentares estaduais, em paralelo com o clamor pela retomada das obras da transposição de águas do rio São Francisco. Todos os contatos estão sendo agendados na capital federal com vistas a obter uma audiência com a presidente Dilma Rousseff no sentido de sensibilizá-la diante da calamidade que se abate com intensidade sobre a região Nordeste.

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