14 de outubro de 2012

Para refletir "Vida curta x vida morna"


Quem passou a vida em brancas nuvens
E em plácido repouso adormeceu,
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu. - Francisco Octaviano
O poema de Octaviano me remeteu às “poesias concretas” da lavra de Dona Beatriz Cavalcanti. Eis uma delas:

- “Quanto prestei atenção estava velha. Tomei um susto”.

Essa frase, dita em tom de confidência, é uma das lembranças que guardo da minha mãe, arquivada não apenas a título de memória, mas de ensinamento.

Dona Beatriz tinha razão: é realmente assustadora a velocidade que separa o berço do túmulo.
Mais do que assustar, porém, esta noção deveria servir como um gatilho impulsionador.
Já que a vida é tão curta, que seja vivida com intensidade. Breve, mas jamais morna.
Não adie sonhos, não desista dos projetos, não exista com enfado nem sonolência.
Se mantenha desperto, com disposição para viver da melhor forma possível cada experiência que a existência proporcionar.

Viver de forma plena requer, também, viver de acordo com seu relógio biológico – esse que cada um carrega dentro de si (mais preciso do que qualquer suíço) e que determina as respostas possíveis para cada instante de cada existência.

O tempo, ao contrário do que insistem alguns, não retroage. E não é assim tão relativo.

Não tente, por exemplo, deixar para saltar de pára-quedas aos 80. Porque, octogenário, mesmo que o equipamento abra, que o vento esteja favorável e a altura adequada, seus ossos vão ranger.

Pois não é verdade que se pode fazer tudo a qualquer momento da vida. Até porque não é você que determina. É o próprio tempo, marcado no tal relógio.

Uma engrenagem que voa. E como acontece com a maioria, muito em breve você também irá se assustar com a velocidade com que passou pelo tempo.

Minha torcida é para que, sequência do susto, sobrevenha a alegria de uma vida bem vivida – quente “pelando” , que é como gostamos de sorver a vida, e tudo o mais, neste Nordeste ensolarado.

Roberto Cavalcante

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