17 de julho de 2012

Lembranças e Sentimentos de 244 Anos de Fundação


A cada ano renovam-se as alegrias e anseios para falar sobre a cidade de Cuité, cidade serrana e hospitaleira do Curimataú paraibano, que cativa não só os seus filhos, mais também todos que fazem e fizeram desta, o seu lar e aprenderam a gostar, respeita-la e ama-la.
Ao longo dos seus 244 anos de fundação, Cuité se mostra cada vez mais aprazível e graciosa, mostrando as suas belezas naturais e espontâneas a todos que a ela chegam, desde os primeiros habitantes desta região, que foram os indígenas, à chegada de Caetano Dantas Correia até os dias de hoje muitas coisas ocorreram nesta pequena parte do nosso imenso país, porém acima de todos os acontecimentos, estão alguns sentimentos que trazemos dentro do peito por esta terra que em poucas palavras ficaria difícil descrever. 

 No entanto, queria pedir licença aos leitores para expor um pouco destes sentimentos que pertencem não só a mim, mas acredito que também a muitos que neste momento estão lendo este pequeno texto, falar de algumas figuras, lugares e acontecimentos que estão dentro do meu imaginário, onde nasci e fui criado, não querendo desmerecer ou denegrir algo ou alguém, mas do contrário, trazer a tona boas lembranças que trago comigo. Cuité cidade universitária, das belas praças, das boas festas, sendo estas religiosas ou profanas, do museu, que conta parte de nossa história e de seu povo gentil e acolhedor, do seu clima serrano gostoso, de suas lindas paisagens naturais, de uma rica cultura e de uma grandiosa história que enaltece ainda mais esta terra.
Serra de Cuité, Cuité de Seu Jeremias, Cuité do padre Lula, Cuité, Cuité idolatrada, ou simplesmente Cuité, esta terra nos traz, ou posso dizer me traz as mais singelas lembranças, dentre elas a do cinema de Seu Jovino, dos banhos no Olho-d’água da bica, do campinho de futebol da antiga rua do louro, das festas carnavalescas do Cuité Clube e dos carnavais particulares de Gabirão, dos encontros no cajueiro, do bate-papo gostoso no bar de Seu Zé Soares, dos belíssimos desfiles cívicos na rua do hospital, das vaquejadas, das lapinhas, do bumba meu boi de seu Manoel Birico, dos passeios no coreto, de figuras simbólicas que se prefiguraram em algumas vidas e ficaram marcadas para sempre, devido aos seus jeitos e falas irreverentes, que mais pareceram filósofos sem formação, a exemplo de Dinamerico Soares e seus expressivos poemas, Seu José de Luzia, carinhosamente chamado de enciclopédia viva de nossa história, das broncas e ensinamentos que me passou D. Camélia lá no Vidal, D. Chicota e D. Aurea que ensaiaram os primeiros passos teatrais nesta cidade, nossos queridos Manú, Tino e Baltazar que tanto contribuíram com o esporte, o inesquecível Liga, que com sua caixa de engraxate cruzava as ruas de nossa cidade, dentre outros que fazem parte do meu imaginário e de nossa rica história.
Rememorando estas lembranças revivo momentos, pessoas e locais importantes para mim e para muitos, como também faço destas palavras a mais singela homenagem nesta data de fundação a esta terra que me fez entender que apesar de todos os sofrimentos, lamentos e tribulações que possamos ter em nossas vidas e em qualquer lugar que andemos chão a fora, sempre será nas antigas lembranças, nos braços de quem amamos e na terra em que nascemos que sempre encontraremos alento, um colo quentinho e gostoso para nos acalentar e a verdadeira sensação de paz que em nenhum outro lugar do mundo terá.

Crisólito da Silva Marques.
Historiador, professor, pesquisador.

Cuité, 17 de Julho de 2012.

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