2 de abril de 2012

A mais nova Coluna "Palavras do Padre Luciano"

Agora estaremos publicando no Blog Por Trás da Serra de Cuité os artigos escritos semanalmente pelo Padre Luciano Guedes.

Pela cruz somos glorificados em Deus.
*por Pe. Luciano Guedes da Silva
Pároco de Cuité. 

Para os romanos, sinal de tortura e castigo, para os judeus um escândalo e vergonha, para os gregos, uma loucura! Para a Igreja de Jesus, afirmação da eternidade, vida que se vislumbra para além das misérias e imperfeições humanas, força que destrói o mal. Assim, a cruz, na história desponta como sinal, para todos inquietante, da realidade misteriosa e transcendental que envolve a humanidade. 

A chamada “Semana Santa” em nossa tradição católica recorda exatamente esse fundamento de nossa esperança cristã. Isso porque atualiza em nosso contexto de fé, os episódios históricos que narram a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém, aclamado como Messias e Salvador (domingo de Ramos e da Paixão), despedida e Ceia com os discípulos (quinta-feira), Crucifixão e Morte (sexta-feira) e a Ressurreição, no primeiro dia da semana (domingo de páscoa). 

Sendo assim, tudo o que mais celebramos em qualquer parte e circunstância do tempo, fará referência a isto: a Páscoa redentora de Cristo. Podemos assim compreender que a Igreja nasce desta fonte, fruto da “fé pascal” comunicada pelas testemunhas e discípulos do Senhor Ressuscitado. 

A fé cristã, basicamente, é a interpretação deste sentido novo e pleno para o homem. E neste ponto, devemos hoje nos perguntar também: a religião tem sido para nós, uma busca de sentido para a existência ou somente uma forma interessada de solucionar problemas e desconfortos do dia-a-dia, próprios da caminhada humana? 

Aqui é que importa para nós, cristãos, a compreensão da cruz redentora de Cristo. Ele, Jesus, muitas vezes falou aos discípulos da necessidade da cruz: “Quem quiser me seguir, tome sua cruz e siga-me”. Hoje vemos surgir uma religião, inimiga da cruz, seduzida pela prosperidade e pela abundância das conquistas, anestesiante da dor e dos limites da pessoa, entorpecente das consciências, numa ilusão de que não precisamos nada sofrer. Uma redução do homem ao horizonte puramente material da vida, uma porta aberta e larga para outra vez trair nosso Senhor, e longe dele ficar. 

Como cristãos, acredito, que em tempos de mercado religioso tão farto e enganoso, precisamos retornar ao “testemunho da cruz”. Ela é nossa vitória, sim, nossa vitória porque nos indica que os limites humanos nunca cessarão, aliás, estes mesmos limites que nos causam incômodos, são a prova cabal da nossa finitude, da nossa necessidade de alcançar o Verdadeiro, o Belo, o Perfeito, o Eterno. 

Ao assumir a cruz, nossa fé não é masoquista, não! Ela é fé, encarnada na história concreta, que não divaga nas fantasias e modismos, ou na tentativa de propor ao homem um caminho fácil, porém, mentiroso. Cristianismo sem cruz é ilusionismo e magia. É produção humana e interessada para distrair o público, para dele talvez aproveitar-se também. 

Vencendo a cruz, o Cristo oferece a humanidade uma significação absoluta para o sofrimento e para o mal que é causado pelo pecado dos homens. O perdão aos inimigos é também parte desta novidade, realidade tão difícil de ser compreendida pela nossa lógica justiceira e racional. 

Eu desejo a você que não fuja de sua cruz. Ela certamente é “recado divino” do céu, de Deus, para lhe comunicar algo muito maior do que aquilo que hoje você pode hoje enxergar e compreender. Amar a cruz nos dá condições de entrar no mistério do grande amor de Deus, que nos salvou por este sinal tão contraditório, mas tão grandioso! 

Nossa glória é a cruz, pois ela ensina-nos que todo amor verdadeiro experimenta o esvaziamento de si próprio e a renúncia, como condições para amar com mais qualidade. Lembrando sempre que o importante não é ficar “presos” à cruz, mas abraçá-la, com o propósito de transpô-la, de torná-la mediação para a realidade nova e feliz que nós esperamos confiantes no Senhor. 

Que a sua semana santa seja a porta de uma verdadeira redenção. Desejemos todos aperfeiçoar nossa qualidade como pessoa, mais capacitados para amar, para perdoar, para servir - eis o grande desafio de nossa evolução humana em Deus. Queiramos ser homens novos, porque Deus em Jesus Cristo, nosso Senhor, já nos salvou por sua cruz libertadora! 

Feliz páscoa para você!




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