3 de abril de 2012

Dislexia: projeto prevê tratamento para estudantes da educação básica



Câmara analisa projeto (PL3394/12) que obriga o Poder Público a manter programa de diagnóstico e tratamento a estudantes da educação básica com dislexia. O autor da proposta, deputado Manoel Júnior, do PMDB da Paraíba, afirma que 90% das crianças na educação básica sofrem com algum tipo de dificuldade de aprendizagem relacionada à linguagem. A dislexia - que é a incapacidade parcial de compreensão do que se lê - é a mais comum e prejudica todo o processo de aprendizagem. A deputada Mara Gabrilli, do PSDB de São Paulo, acredita que a proposta vai dar visibilidade ao problema da dislexia, que na maioria das vezes passa desapercebido por pais e professores, prejudicando a criança. "Nos Estados Unidos, por exemplo, é muito difícil você achar uma sala de aula que não tenha um aluno com dislexia. E aqui os alunos com dislexia são ninguém porque eles não se encaixam em nenhuma política, eles acabam ficando à margem." Para Maria Inez de Luca, psicóloga especialista em neuropsicologia da Associação Brasileira de Dislexia, entender a dislexia é fundamental para que as crianças recebam a atenção necessária para superar esse distúrbio que atrapalha o aprendizado. Maria Inez destaca o papel do professor na identificação da dislexia. "Aquela criança que não está acompanhando, está mais lenta, está com dificuldades específicas em leitura e escrita merece passar por uma avaliação multidisciplinar para identificar o que acontece com ela. Aí ela volta para a sala de aula tendo esse acompanhamento extracurricular e tendo uma professora que entende a dificuldade dela e que sabe de que forma pode ajudar essa criança dentro da sala de aula." Hélio Magri, autor do livro "Sou disléxico... e daí?", parabenizou a iniciativa porque a dislexia atinge crianças na fase de aprendizagem e os professores precisam saber ensinar esses alunos. Hélio Magri é disléxico e também tem discalculia, dificuldade com números. Ele conta como foi sua experiência na escola. "Foi um sofrimento muito grande. Eu passei pelo ensino, na época, primário com muita dificuldade, ginasial também com muita dificuldade até que eu comecei o ensino superior e, nessa época, por causa da ditadura e outros envolvimentos, eu acabei saindo do Brasil e fiquei quase 20 anos fora, na Austrália. E na Austrália eu era exposto a recursos muito maiores, informações muito mais detalhadas a respeito do problema e lá então eu fui diagnosticado." A proposta que estabelece programa de diagnóstico e tratamento a estudantes da educação básica com dislexia vai ser analisada pelas Comissões de Seguridade Social; de Educação; de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça da Câmara. 

De Brasília, Karla Alessandra.

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