7 de fevereiro de 2012

Coluna de Crisólito Marques "Volta às Aulas: Escola e Família"

Mais um período letivo de aulas está iniciando em nosso país, crianças, jovens e adultos estão voltando à rotina cotidiana de ir à escola em busca de uma boa formação não só pessoal, mas também profissional em um futuro bem próximo, ao término deste período todos esperam êxito desta jornada que agora se inicia.
            
Porém, para que tenhamos bons resultados no âmbito escolar é preciso que não só alunos e professores façam seu “dever de casa”, mas que também a família esteja presente na vida escolar de seus filhos, convívio este que muitas vezes não acontece corriqueiramente, deixando para se preocupar no término do ano quando o aluno esteja em uma possível reprovação.

De acordo com uma pesquisa feita pela educadora Tânia Zagury, autora do livro “Escola sem Conflito: Parceria com os Pais”, 44% dos professores apontam a ausência de limites como causa principal da indisciplina em sala de aula: um quinto dos profissionais responsabiliza a família pelo problema, mas contudo, do outro lado deste “conflito” os pais também reclamam de intromissões da escola em disposições que acreditam justas, a exemplo da contestação de determinações de algumas escolas em proibirem o uso de dispositivos eletrônicos, como celular ou tablet, no interior da instituição, pois se educadores e escolas acreditam que diminui o rendimento escolar do alunado por tirarem a sua atenção, alguns pais acreditam que estes aparelhos deviam ser usados como material didático educativo.

Outros tipos de reclamações existentes entre as partes expostas são as queixas dos pais para com os professores por motivos de notas baixas ou alguns tipos de repreensões aos alunos por comportamentos inadequados. O aumento destas reclamações de ambas as partes nos últimos anos está preocupando muitos estudiosos na área educacional, que apontam algumas razões para este exagero de “farpas” saídas deste convívio.

Dentre algumas razões podemos citar as mudanças ocorridas no seio familiar nos últimos 50 anos, a exemplo da falta de tempo de pais ou mães para com o acompanhamento escolar de seus filhos pois ambos, estão agora encarregados do sustento da família, não tendo mais a figura paterna ou materna para este fim, muitas vezes deixando para terceiros ou até mesmo o “se vira” para o próprio aluno fazer só, tentando suprir esta falta.

A questão é que novos tempos estão aí e que os pais não vêem mais a escola e os professores como sendo autoridades inquestionáveis e que estas instituições e estes profissionais precisam adaptar-se a este novo momento, contudo estes profissionais e estas instituições dizem que os pais não tem o mesmo respeito que antes detinham perante a família.

Porém, por meio destas mudanças ocorridas na família, na escola e na sociedade como um todo, é preciso ter uma certa harmonia para que haja uma convivência pacifica entre ambas as partes, é preciso que pais e professores possam parar e ouvir antes de lançar mão de forma agressiva, onde coloca-se apenas como sendo o meu lado o certo, o seu não, independente de que lado estejas. Este ato de harmonia é não só preciso como é gratificante para ambas as partes, pois de acordo com uma pesquisa encabeçada pela Fundação Getúlio Vargas, por exemplo, mostra que os efeitos da presença dos pais na vida escolar se fazem notar por toda a vida adulta. Na infância e na adolescência, a participação da família está associada a notas até 20% mais altas e riscos de evasão até 64% inferiores.

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