13 de agosto de 2011

Coluna Crisólito Marques "210 Anos de Paróquia, de Igreja, de História"

210 Anos de Paróquia, de Igreja, de História

Neste momento tão especial para a paróquia de Cuité, nada mais justo do que uma grande homenagem não só a nivel religioso, mais também histórico, cultural, político, social, portanto foi com este intuito que uma das formas de comemoração dos 210 anos da fundação da paróquia aqui em Cuité, que esta vem através deste documento homenagear todos os cuiteenses, os parocos que aqui passaram e todos que fazem e fizeram desta terra uma das mais valorosas e dignas de serem contadas e registradas nos anais históricos, para os que estão e os que virão a morar, visitar, amar, gostar, respeitar, eternizar Cuité e seus patrimônios, nos quais dentre eles podemos destacar, seu povo, sua gente, sua história.
O nome Cuité vem do uso que os índios Cuités, da grande tribo dos Cariris, faziam do fruto da coitezeira utilizando para o fabrico de cuias, gamelas e cochos. No dialeto indígena "Cui" quer dizer vasilha e "etér" grande, real, ilustre. O padre Luiz Santiago no seu livro “Serra de Cuité: sua história, seus progressos, suas possibilidades”, afirma que os índios que habitavam as terras que hoje é o município de Cuité foram aldeadas pelo padre João de Barros no ano de 1696. Ainda de acordo Santiago, em 08 de dezembro de 1704, o Conde de Alvor requeria a primeira data, nesta serra, com o nome de Data do Olho D’água de Cuité, recebendo a concessão no governo de Fernando de Barros e Vasconcelos.
Contudo, padre Luiz atribui a origem de Cuité a Caetano Dantas Correia, que em 31 de outubro de 1784, requereu a Data da Lagoa do Cuité e a fim de povoá-la, edificou uma capela em homenagem a Nossa Senhora das Mercês, e na companhia do irmão Simplício Dantas Correia passaram a promover festas naquela localidade. Caetano Dantas Correia doou meia légua de terra tirada daquela data que tivera requerido, ao entorno da capela, com o objetivo de se construir o “patrimônio da santa”. Na data de 25 de agosto de 1801 a capela passava à sede de freguesia, desligando-se da freguesia de Caicó no Rio Grande do Norte, através de decreto assinado pelo então bispo de Olinda, Dom José Joaquim de Azevedo Coutinho, tendo sido Manoel Fernandes Pimenta o seu primeiro vigário.
Este ano de 1801 tornou-se importante para esta região, pois fora nesta data que foi criada a freguesia de Nossa Senhora das Mercês da Serra do Cuité, desmembrando-se assim da freguesia de Nossa Senhora de Santana, Vila Nova do Príncipe. No ano de 1815, através de Alvará Régio fora criada a Vila Real de Brejo de Areia, apenas instalada em 1818, cujo território abrangia as povoações de Alagoa Grande, Bananeiras, Guarabira, Pilões, Pedra Lavrada e Cuité.
Somente no mês de outubro de 1827, é criado o distrito de paz de Cuité, pela Lei de n° 15 e o termo judiciário de Cuité foi criado pela Lei n° 04 de 27 de maio de 1854. A partir desta data a povoação da Serra de Cuité fora elevada a categoria de vila e seu território abrangia as áreas ocupadas atualmente pelos municípios de Barra de Santa Rosa, Picuí, Nova floresta, Frei Martinho, Nova Palmeira, Cubatí e Pedra Lavrada. Entre os anos de 1800 a 1827 Cuité é elevado à categoria de distrito, sua comarca somente fora criada em 25 de junho de 1872, sob a denominação de Comarca da Borborema, mas este benefício foi suprimido no ano de 1891, sendo restabelecido em 1900. Quatro anos depois o município e a comarca de Cuité foram anexados ao município de Picuí, com o nome Serra de Cuité.
Na data de 18 de dezembro de 1936, através da Lei estadual de n° 99, Cuité fora elevado à categoria de município com a denominação de Serra de Cuité, desmembrando-se de Picuí, sendo constituído de dois distritos, sendo estes: Serra de Cuité e Barra de Santa Rosa, este criado pela mesma lei que criou município, que fora instalado em 25 de janeiro de 1937. Através do Decreto-lei estadual de n° 1.164, de 15 de novembro de 1938, o município de Serra de Cuité passa-se a ser chamado apenas Cuité e o distrito de Barra de Santa Rosa a chamar-se Santa Rosa.
Muitos outros tópicos e muitas outras personagens que fizeram e fazem a história destes 210 anos de paróquia em Cuité mereceriam um destaque mais apurado, porém de antemão pedimos desculpas por não haver esmiuçado mais um pouco esta vasta história, porém fica aqui registrado o nosso carinho, apreço e consideração a todos que direta e indiretamente deixaram a sua contribuição para a construção desta valorosa terra, este patrimônio incalculável que é acima de tudo o povo e a história do mesmo, desta querida, amada e como bem o hino municipal relata, idolatrada, terra de promissão, nosso afeto alcandorado, torrão sublime, tanto para seus filhos quanto para dos que dela apenas passaram ou passam dias, simplesmente chamada de Cuité, mas que para muitos não é apenas parte integrante do mundo, mas sim, é o próprio mundo, de muitos que estão ou gostariam de estar nela nesta data tão feliz.
Enfim dedicamos esta homenagem a todos que fazem e fizeram e os que hão de fazer parte desta história, desde o ano de 1696 quando as terras foram aldeadas, até os dias de hoje. Parabéns, Cuité, parabéns a todos, e que venham mais 210 anos à frente.
Cuité, 11 de agosto de 2011, explanação “Vida, História e Missão”, trecho do artigo escrito homenageando os 210 anos de paróquia que será publicado no jornal comemorativo da festa da padroeira no mês de setembro.

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