2 de julho de 2011

Coluna Maria Verônica Gomes "FECHAR AS PORTAS VAI RESOLVER?"

 

FECHAR AS PORTAS VAI RESOLVER?


A expansão da sociedade humana por se dá de modo complexo requer a elaboração de normas que presumam o bem-estar e o respeito mútuo nas relações cotidianas. Esta é uma característica globalmente comum; em cada local são formuladas regras, leis e direitos que devem ser obedecidos pela população em geral. Ou seja, constrói-se um padrão de sociabilidade que envolve principalmente interesses morais resultantes de um processo histórico de cada grupo social.  
A reação da comunidade à quebra destas normas por um de seus membros sempre envolve sentimentos de revolta e necessidade de punição. Além, da mobilização dos órgãos públicos - ao menos teoricamente - que tentam corroborar a real situação para que seja julgado e apenado todo aquele que cometa atos delituosos.


Porém, tais fatos não tem sido suficientes para impedir em nosso país a ocorrência de conflitos, dos crimes e da violência social e interpessoal. Gestos de intolerância, de agressividade e preconceito estão sendo banalizados. Quanto mais as diferenças crescem menos são aceitas, resultando em ofensivas físicas e morais, justificadas por motivos como sexualidade, etnia, religioso, status social, grupo político, rivalidade entre tribos e facções, e etc.  
Episódios brutais e notícias sobre corrupção são capas das manchetes dos jornais. A população se sente intimidada e não sabe mais em quem confiar; os investimentos em equipamentos como cercas elétricas, câmeras de monitoramento e alarmes tem sido cada vez maiores. Enquanto os cidadãos que cumprem seus deveres se fecham em casa, atuantes da criminalidade circulam livremente pelas ruas.
A impressão que se tem de toda esta situação é que os valores, o espírito de fraternidade e o respeito ao próximo estão se corrompendo gradativamente e em extrema velocidade. E ao enfatizar a competência e atuação da justiça é enorme a sensação de impunidade, principalmente para crimes do colarinho branco cometidos por cidadãos procedentes das classes médias e altas.
Tal situação não se restringe apenas aos grandes centros urbanos, as pequenas cidades interioranas também sofrem com estes males. Na realidade o que notamos é a intensificação destes problemas e sua proximidade deles em nosso dia-a-dia. Será que existe alguma forma de nos privar destas problemáticas? Isolar-nos da vida social é suficiente para nos manter protegidos? Infelizmente não! Nem mesmo em casa estamos seguros.  
Quanto mais a sociedade se expande, junto a ela crescem suas mazelas. O quadro que nos deparamos atualmente é resultado de graves “doenças sociais” não solucionadas;  como a falta de estrutura familiar, a exclusão, concentração de renda, exposição à criminalidade, contato e uso de drogas, falta de escolarização e de condições dignas de moradia, saúde e lazer.  
Desse modo, não basta proteger a si mesmo. Um trabalho de longo prazo e intenso tem que ser realizado em nossa sociedade. Como a prática de estratégias que promovam a inclusão e a formação do cidadão consciente de seu papel de pacificador e construtor de uma comunidade que se respeite e se cuide.
Mesmo parecendo utopia conviver em harmonia diante todo o egoísmo que se mostra grande parte da população mundial, temos que nos lembrar que bons exemplos de honestidade, fraternidade, lealdade e compreensão ainda nos surpreendem com frequência e devem ser imitados. Acreditar que a causa está perdida vai apenas agravar toda esta circunstância, precisamos crer que por mais que 100% das pessoas não sejam estes bons exemplos, uma minoria já faz grande diferença; principalmente quando fazemos parte dela.

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