8 de julho de 2011

Coluna Crisólito Marques "Assassinato por paixão, amor criminoso"


Assassinato por paixão, amor criminoso
Paixão, do verbo latino, patior, que significa sofrer ou suportar uma situação dificil, é um sentimento de desejo, de querer o amor do outro a todo custo, a toda prova que se possa imaginar, é a necessidade de ver, de tocar a pessoa amada ou ter pelo menos algo, algum objeto que lembre aquela pessoa querida, há pessoas que a consideram como um “vicio”, onde a mente do inidividuo fica debilitada por tanta admiração que sente pela(o) outra(o), outros a consideram como um “sedativo”, pois este sentimento instiga a admiração pelos detalhes da pessoa amada.
Mas quando toda esta paixão se transforma em crime? Quando todo este pensamento se mostra mortal, ao ponto tirar a vida da pessoa que tanto admira-se? O que dizer? Como agir nestes casos, legalmente falando?
            É importante que não se confundam crimes passionais com crimes praticados por pessoas que estão doentes de amor. Pessoas que matam por egoísmo, egocentrismo, por não aceitarem uma traição ou um abandono, não necessariamente está doente. Quem mata por vingança não pode ser tratado como doente de amor. A vingança é uma das características do criminoso passional. Crimes brutais que envolvem o ‘pseudo-amor’ são, infelizmente, cada vez mais comuns na nossa região e no nosso país, mortes que são “mascaradas” muitas vezes para “manter a sua honra em sua legítima defesa”. Esses crimes, na verdade, retratam a falta de amor, o egoísmo, o ciúme desmedido, a vontade de controlar a vida do outro como forma de dominação.
            Poderíamos aqui, infelizmente citar muitos casos de crimes considerados passionais acometidos no nosso país, ultimamente um crime que repercutiu nacional e até internacionalmente foi o da jovem de 15 anos, Eloá Cristina Pimentel que foi assassinada pelo seu ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves de 22 anos de idade, o crime aconteceu no ABC paulista no dia 18 de outubro de 2008 quando Lindemberg a matou com um tiro na cabeça, populares contam que o assassino era muito ciumento para com a vitima.
            Outro crime que chocou o país foi o da atriz Daniela Perez, ocorrido na década de 1990, o assassino foi o também ator Guilherme de Pádua com a cumplicidade de sua mulher Paula Thomaz, segundo o depoimento do assassino, ele matou a atriz com golpes de tesouras em seu peito.
            Esperamos portanto, que muitos crimes que ainda hoje em nosso país estão impunes sejam julgados e condenados de acordo com as leis que nos regem, como é o caso da Lei 11.340/2006, a Lei Maria da Penha e tantas outras que muitas vezes ficam só no papel, na teoria e não entram gradativamente na prática. Esperamos que os muitos Lindembergs, Guilhermes e muitos outros aqui não citados, não fiquem impunes e que estes tipos de crimes não venham mais crescer os números e probabilidades da violência tida como passional, assassinato por paixão, onde realmente o que vemos é que a nossa sociedade precisa de fato de um sentimento tão puro e singelo quanto o amor para minorizar esta violência sanguinária que acomete principalmente muitas mulheres em quase todas as regiões de nosso país, sem distinção de cor raça ou crença.

 Os crimes passionais, como assim são chamados, ou seja, quem mata por paixão, estão muito mais presentes em nossa sociedade que imaginamos, estes crimes acontecem geralmente por que parceiros(as) querem que o amor daquele(a) outro(a) seja exclusivo para si, argumentam que sentem-se pouco valorizados(as) pelos(as) seus ou suas companheiros(as), argumentam ainda que não conseguem controlar o seu ciume, este crime legalmente é tido como outro qualquer, enquadrado penalmente com um atenuante de “violenta emoção”.

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